Cartaya (Huelva), 7 Abril 2008
O Ministro de Emprego destacou as altas cotas de retorno, a necessidade de uma colaboração mais estreia em anos vindouros e as autoridades espanholas pelo “excelente resultado de um modelo cíclico que permite estabilidade laboral temporal”.

Encontro em Cartaya
Tanto o Ministro de Emprego como o de Marroquinos Residentes no Estrangeiro, Mohamed Amour, assim como as autoridades espanholas presentes no acto, entre elas a Directora Geral de Integração do Governo Central, Marta Rodríguez Tarduchi, e a Directora Geral de Políticas Migratórias da Junta da Andaluzia, Teresa Bravo, destacaram que grande parte do êxito da fórmula posta em marcha assenta em dois factores: Por um lado, nas altas cotas de retorno que se atingiram dos trabalhadores para Marrocos, que o ano passado superou a taxa de 90%, e por outro, no fomento de um modelo cíclico que permite estabilidade laboral temporal às trabalhadoras do campo marroquinas e que ainda, assinalou Jamal Rhmani, “dá trabalho a um número muito significativo de pessoas, este ano mais de 13.000, mediante uma fórmula que lhes permite contar com um emprego e uma habitação digna, e também com o compromisso de voltar a Marrocos quando termine a campanha agrícola”.
Para o ministro marroquino o número alcançado este ano reflecte “a satisfação mútua dos sócios marroquinos e espanhóis e precisa de uma colaboração mais estreita em anos vindouros”. Neste mesmo sentido pronunciou-se a Directora Geral de Integração do Ministério de Assuntos Sociais, que se mostrou disposta a reforçar a relação de um programa que em 2003 tornou possível a contratação de 433 pessoas e que “entendemos que foi um bom trabalho não apenas pelos números alcançados este ano mas também, e sobretudo, pelas condições nas quais estas pessoas vivem e trabalham em Espanha”.
Da sua parte, o presidente da câmara de Cartaya e impulsor do programa, Juan Antonio Millán, acentuou a necessidade de continuar a trabalhar em aspectos que potenciem o modelo e a sua expansão a outras províncias e outros sectores. Assim comprometeu-se a continuar a trabalhar nas técnicas de co-desenvolvimento, para melhorar o acolhimento, a integração e a convivência nos países de destino, assim como a continuar a trabalhar na concatenação de campanhas, “de forma a que um trabalhador marroquino que venha a suprir a falta de mão-de-obra nacional no campo possa vir, se assim o deseja e o procuram os empresários, à vindima de La Mancha, deslocar-se de imediato à da azeitona de Jaén, e daí à do morango de Huelva, por exemplo, para tal deve existir uma rede de alojamentos dignos e sistemas equivalentes a AENEAS-Cartaya que lhe dêem cobertura”. O primeiro edil concedeu também especial importância ao fortalecimento da cooperação com a Banca Popular de Marrocos e as Caixas de Aforro e entidades bancárias espanholas “para que as remessas dos trabalhadores cheguem a Marrocos a custo zero e em tempo real, o que lhes garante que o dinheiro se reinvista em co-desenvolvimento”.
Millán assinalou que o bom funcionamento da fórmula posta em marcha em Huelva se deve à colectividade de interesses que existe entre os governos espanhol e marroquino, por um lado, e por outro, com a entidade reguladora do morango da província. Precisamente o Presidente de Freshuelva, José Manuel Romero, acentuou a necessidade de incidir na formação profissional das trabalhadoras marroquinas nas suas cidades de origem. “Devem vir a Espanha, -assinalou-, com mais formação e preparação” e informou que se estão a fazer negociações com o INEM para conseguir este objectivo.
Nesta mesma linha, o presidente da câmara de Cartaya reiterou as acções formativas que se realizam em Huelva no quadro do projecto AENEAS-Cartaya, e noutra ordem de coisas, pronunciou palavras de reconhecimento para a Agência Nacional de Promoção de Emprego e de Competências, Anapec, pela sua colaboração “fundamental sobretudo no processo de selecção, pois acertou com os perfis solicitados pelos empresários”.

Encontro em Cartaya
A jornada de trabalho terminou com a visita ao Escritório do trabalho temporário, ao edifício AENEAS – Cartaya e aos alojamentos de uma das quintas da localidade, Citroluz, e do albergue Casa del Gato, onde as autoridades alhajitas puderam comprovar as condições nas quais vivem e trabalham as marroquinas deslocadas para a província de Huelva contratadas na origem.